Polimento automotivo em 6 passos, com apenas 3 produtos
Por Carlos Silva, especialista em tintas com mais de 20 anos de experiência ·
Se você está enjoado do seu carro, se está achando ele feio, fosco, se aquela paixão esfriou — um polimento pode salvar ele. Devolve a aparência e faz o carro voltar a ficar bonitão outra vez.
O processo completo cabe em seis passos, e você não vai precisar da lista interminável de produtos que costuma aparecer por aí. Vamos por partes.
Passo 1 — Equipamento
Antigamente a gente usava muito politriz. Hoje o pessoal está usando roto orbital, e para você que não tem muita experiência, que não trabalha em oficina, é a escolha certa.
A politriz é um equipamento mais antigo e mais agressivo, e exige uma técnica melhor para trabalhar. Sem essa técnica, você estraga a pintura: dá para queimar a pintura e até arrancar a tinta. É uma máquina forte a esse ponto.
A roto orbital é mais amigável. Ela tem um processo de rotação diferente, então você consegue trabalhar melhor. Não é tão agressiva quanto a politriz, mas dá um resultado muito bom também.
“Carlos, qual eu compro?” A que couber no seu bolso. Não precisa ser a mais cara, não precisa ser aquele negócio gourmet. Uma roto orbital simples já entrega o que você precisa e resolve. O que vai fazer diferença mesmo são os produtos que você vai usar e o processo correto.
As boinas
Além da máquina, você vai precisar de boinas. São duas, e você vai usar as duas:
- Boina de lã — é com ela que a gente passa a massa de polir. No lugar dela, dá para usar uma boina de microfibra, que serve tanto para massa quanto para polidor e é um pouco mais cara. Para essa parte, qualquer uma das duas já resolve.
- Boina de espuma — é com ela que o brilho abre, no final do polimento.
Então os equipamentos que nós vamos utilizar são: roto orbital, boina de lã e boina de espuma.
A boina de microfibra que eu uso prende por velcro. Você cola o velcro e pode ir sem medo: na hora que girar, ela não solta.
Sobre a boina de espuma, tem uma escolha importante. Existem três tipos: agressiva, média e macia. Eu sempre opto pela macia. É melhor de trabalhar e esquenta menos a peça.
E gosto especialmente da boina estilo colmeia, aquela que tem os vincos. O produto entra ali no meio dos vincos e lubrifica a boina enquanto você trabalha.
De novo: não precisa ser a boina mais cara. Uma boina de qualidade, de marca, ajuda, claro. Mas dá para fazer um trabalho legal com uma boina mais simples também, desde que o processo esteja certo.
Passo 2 — Descontaminação
Antes de qualquer coisa, o carro tem que estar lavado.
E aqui vai a regra que eu repito sempre: polimento sempre na sombra, com a lataria fria, com o carro limpo. Não faça no sol e não faça com a lata quente.
A descontaminação é feita com pasta descontaminante, que a gente também chama de pasta abrasiva. Ela é tipo uma massinha, parecida com massinha de modelar. Você vai esfregando na lata toda como se fosse um sabão, e a sujeira vai grudando nela e ficando ali.
O que ela faz é um microlixamento da pintura. Às vezes o carro pegou pulverização de tinta, coisa que acontece quando você fica perto de uma oficina. É a pasta que tira essa pulverização.
Esta é a única etapa do processo que eu autorizo você a pular. Se não quiser usar, está tudo certo, você vai lixar do mesmo jeito. Não é obrigatória. Mas se usar, ajuda lá na frente.
Passo 3 — Lixamento
Terceiro passo, e a gente ainda nem começou a polir: agora vamos lixar o carro.
O lixamento é o que tira os riscos superficiais. Aqueles riscos mais fininhos, mais leves: o pano seco que você passou no carro, a unha que arranha a entrada da porta perto da maçaneta. Esses saem.
Agora, risco muito fundo, aquele que chegou a aparecer a tinta e a lata lá embaixo, não tem o que fazer. Esse não sai no polimento.
O lixamento é feito com água. Encha um balde com água e coloque bem pouquinho detergente neutro, só para a lixa deslizar mais fácil. E é em três etapas:
- Lixa 1500
- Lixa 2000
- Trizact 3000 para finalizar
“Ah Carlos, mas o Trizact é um disco, tem que ser na máquina?” Não! Dá para fazer na mão, tranquilo. Na mão, com água.
O Trizact é uma lixa um pouco mais cara que as outras, mas ela rende muito: dá para lixar o carro completo umas 20 vezes com uma única. Usou, deixa secar e guarda — você vai usar várias vezes. Em uma oficina que eu atendo eles compram umas três, quatro por mês e pintam cento e poucos carros. Ela rende tranquilamente.
Se o seu carro é preto, bordô, ou qualquer cor bem escura, você pode ir além e fazer um lixamento também na Trizact 5000. É obrigatório? Não. Mas ajuda no polimento, faz o brilho vir mais fácil depois e dá um acabamento melhor.
Para branco, prata e cinza, finalizar na 3000 está ótimo.
Sobre marca de lixa eu vou ser direto: em lixa para polimento, a 3M é imbatível. Pelo menos aqui no Brasil, não conheço outra com essa qualidade. Custa cerca do dobro da concorrência, e vale cada centavo. Nisso eu não tenho dúvida nenhuma em falar.
Passo 4 — Massa de polir
Carro limpo, carro lixado. Agora, finalmente, começa o polimento.
A massa é a massa de polir nº 2, base d’água. Tem várias massas no mercado, e essa é a que eu indico por um motivo prático: ela não mancha borracha e não mancha plástico. Isso deixa ela mais fácil de trabalhar, mais amigável.
A massa se aplica com a boina de lã. E aqui vem a regra que faz o serviço dar certo:
Uma peça de cada vez. Passa a massa em uma peça, retira. Passa na outra, retira. Começa pelo teto, depois o capô, depois o paralama, depois uma porta, e vai dando a volta no carro.
Não passe a massa no carro todo de uma vez. Ela vai secar e vai dar um B.O. daqueles.
Um segredinho para dia quente, tipo verão: use um borrifador de água. Passa a massa, dá uma borrifada só para umedecer. Não é para fazer sabão, não é para fazer sopa — só uma umedecida mesmo. Você vai ver que ela desliza bem melhor.
Passo 5 — Polidor
Aqui é uma área polêmica, porque existem trocentos polidores no mercado, cada um falando uma coisa diferente. Eu escolhi um só, que resolve o seu problema: o One Step 2 em 1, da 3M.
O nome já entrega a ideia. Você vai usar o mesmo produto duas vezes, trocando de boina — em vez das duas ou três etapas com produtos diferentes que outras linhas pedem.
Primeiro com a boina de lã. Antes, lave a boina de lã na torneira só com água. Sem sabão, sem nada, só água. Coloca na máquina e liga: ela joga a água fora sozinha. Aí sim, passe o polidor, uma peça de cada vez, dando a volta no carro como você fez com a massa.
Essa primeira passada serve para tirar os microrriscos que a massa deixou — aquilo que a gente chama de holograma — e já começar a trazer o brilho.
Depois, o mesmo produto com a boina de espuma. É aqui que o brilho abre. A espuma termina de tirar os hologramas que a massa deixou e traz aquele brilho molhado, vivo, saltado, que é o que a gente quer ver. Mesma regra: uma peça de cada vez.
Terminou o polidor? Lave o carro. Lave com sabão, normalmente, para tirar o que sobrou: alguma sujeirinha de massa, aquela parte branca.
Passo 6 — Cera
Agora a parte gostosa, que é a que todo mundo gosta de fazer.
“Por que a gente não passa a cera antes e lava o carro depois, Carlos?” Porque a ideia da cera é justamente formar uma película em volta da pintura, protegendo. Se você passa a cera e vai lavar o carro em seguida, você tira essa película. Por isso a ordem é: lava o carro, enxuga, e só então passa a cera.
Na cera eu vou cometer um pecado e sair da 3M: eu uso a cera de carnaúba Cleaner Wax, da Meguiar’s. Na minha opinião, a Meguiar’s é uma das melhores linhas de polimento do mundo. Participei de um treinamento sobre a linha, e é um produto em que eu confio.
A cera é amarelinha e vem com um aplicador dentro do pote. Com ele você passa no carro — e aqui não é uma peça por vez: pode passar em duas ou três peças. Depois disso, você retira com uma flanela de microfibra, vindo tirando a cera e abrindo o brilho. Passa mais duas, três peças, tira, e o polimento está finalizado.
Um detalhe: a esponjinha aplicadora você não lava. Não lava porque a gente quer que ela fique impregnada de cera. É isso que faz ela funcionar bem nas próximas vezes. Terminou de usar, guarda do jeito que está, tampa a cera e pronto.
Sobre custo, vale a conta: com um pote desses dá para fazer até 100 polimentos. É tempo para caramba. Você vai encontrar cera bem mais barata no mercado, mas não com essa qualidade, essa durabilidade e essa proteção. Diluído por aplicação, o custo acaba ficando baixo — na cera compensa investir um pouco mais, porque vai durar. Se quiser conferir o preço de hoje, dê uma olhada no link do produto.
Erros comuns
Forçar a máquina contra a peça. Não aperta. A máquina precisa fazer o giro dela para poder polir. Se você força pensando que está ajudando, você está só atrapalhando o polimento. Encosta a máquina, segura e deixa ela trabalhar. É assim que sai o melhor resultado.
Pular etapa. A única que dá para pular é a descontaminação com a pasta, como eu já falei. O lixamento não. Se for para reduzir, use no mínimo a 2000 e finalize sempre no Trizact 3000 — sempre termine no Trizact.
Passar cera em pintura nova. Esse é importante. A cera tem carnaúba, e pintura nova ainda está curando. Se você pintou o paralama do carro agora, pode passar cera no carro todo, menos no paralama que foi pintado. Espere 40 dias. Nesse prazo a pintura já evaporou o que tinha que evaporar, os produtos químicos já fizeram a cura total, e aí sim pode passar a cera naquela área.
Por que só três produtos
Repare no que a gente usou de produto de polimento: uma massa, um polidor e uma cera. Três.
Tem muito vídeo na internet falando de um monte de produto e um monte de etapa. Muitas vezes isso é só para mascarar, para dar uma enganada. Não é porque você vai usar um monte de produto que o resultado vai ser melhor. Nem sempre é assim — não se engane.
Uma massa boa, um polidor bom e uma cera boa resolvem a sua situação. E, para deixar claro: eu não sou patrocinado pela 3M. Indico porque é o que eu uso e o que eu confio, não porque alguém me pagou para isso.
Ficou com dúvida sobre alguma parte do processo? Me manda pela página de contato — dúvida de leitor costuma virar artigo ou vídeo novo.
Perguntas frequentes
Politriz ou roto orbital, qual usar?
Para quem tem pouca experiência, roto orbital. A politriz é mais agressiva e exige técnica; sem ela, dá para queimar a pintura e até arrancar tinta. A roto orbital perdoa mais e entrega um resultado muito bom.
Posso passar cera em pintura nova?
Não. Espere 40 dias após a pintura para que a cura termine. A cera pode ser aplicada normalmente no resto do carro, apenas não na área recém-pintada.
Preciso mesmo lixar antes de polir?
O lixamento é o que remove os riscos leves. A etapa que pode ser dispensada é a descontaminação com pasta; o lixamento, não. Se for reduzir, use no mínimo 2000 e finalize sempre no Trizact 3000.
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